CURIOSIDADES
O guarda-chuva

O advento do Modernismo na Literatura Brasileira provocou uma ruptura em relações aos padrões vigentes.
A poesia moderna libertou-se da métrica e da rima dos versos, tidos até então como obrigatórios. Aproximou-se da linguagem da prosa, absorvendo inclusive a variação coloquial, não raro situando-se fora dos padrões normativos. Na 1º fase do modernismo, os exemplos são numerosos, vamos lembrar apenas a Poética de Manuel Bandeira.
Outro desvio marcante em relação às estéticas anteriores diz respeito ao tema. Os românticos tinham temas delimitados, tais como: a religiosidade, o amor à terra natal, o sentimento amoroso, a presença da morte e o interesse por assuntos sociais.
Já os parnasianos preocupavam-se com a exaltação da forma e seguiam a orientação arte pela arte. Por isso mesmo voltavam-se muitas vezes, não para pessoas, ou interesses sociais, mas sim para a descrição de objetos - vaso chinês, vaso grego e outros aspectos descritivos.
Os modernos desprezaram esses temas, introduzindo na poesia: o cotidiano, o humor, o inesperado o prosaico. Uns dos mais singulares exemplos dessa mudança temática na poesia encontra-se no poeta pernambucano Mauro Mota que escolheu como tema de sua poesia, nada mais nada menos do que um guarda-chuva. Este incômodo objeto, na poesia, é comparado a uma rosa negra. Veja se gosta da poesia:

 

O guarda-chuva

Meses e meses recolhida e murcha,
sai de casa, liberta-se da estufa,
a flor guardada (o guarda-chuva). Agora,
cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
sustento o caule de uma grande rosa
negra, que se abre sobre mim na chuva.

 

Mauro Mota