PULO - DO - GATO Nº 13
Verbos

É claro que não vamos negar que o estudo dos verbos apresenta algumas dificuldades localizadas. Ele compreende muitas informações a exigir memorização e prática. Todavia, se o verbo foi bem estudado, essas dificuldades diminuem. Você há de convir que os verbos regulares, que constituem a maioria de nossos verbos, não são difíceis. Se você souber um paradigma de cada conjunção verbal, você saberá todos os outros. Por exemplo: - andar, correr, partir.

As grandes dificuldades estão nos verbos irregulares e anômalos que, embora em menor número em relação aos regulares, são muitos usuais em nossa língua, tais como: ser, pôr, ir, vir, ver, caber. Todos apresentam numerosas irregularidades. Nesse caso ajuda bastante dominar os tempos primitivos e derivados dos verbos. Veja-se, por exemplo, o verbo caber. Na verdade, ele apresenta três radicais distintos: o do presente do indicativo com seus derivados – caibo e no presente do subjuntivo caiba; o do pretérito perfeito com seus derivados – coube, cobera, coubesse e couber e o infinitivo impessoal e seus derivados – caber, cabia, caberei, caberia, cabendo e cabido.
Outra observação que muito ajuda, é você notar que há verbos que são cognatos de outros e que se conjugam igual ao modelo. Por exemplo, se você souber bem conjugar o verbo pôr, saberá seus derivados que são mais de 20: compor, repor, dispor, antepor, etc. O mesmo vale para ver, vir e outros. São derivados de ver e como ele se conjugam os verbos: rever, entrever. São derivados de vir e como ele se conjugam os verbos convir, advir, intervir, provir.

Além disso, veremos também os principais verbos defectivos, isto é aqueles verbos que não se conjugam plenamente. Falta-lhes alguns tempos ou algumas pessoas, por exemplo, o verbo precaver que no presente do indicativo só tem as formas: nós nos precavemos e vós vos precaveis. É inteiramente defectivo no presente do subjuntivo e no imperativo negativo. No imperativo afirmativo só tem a 2ª pessoa do plural: precavei-vos. Esses assuntos serão visto aqui em dois pulos-do-gato (13) e (14).
No pulo-do-gato nº 13 recordaremos:

1) A conceituação morfo-semântico de verbo
2) As conjugações verbais
3) Elementos da estrutura verbal
4) Desinências modo – temporal e número - pessoal
5) Tempos simples e modos
6) Tempos compostos e modos

1) Conceituação Semântico – morfológico

O verbo semanticamente é a palavra que enuncia uma ação, um estado, ou um fenômeno. Exs.: Avançamos. Ficou calado. Anoiteceu.

Do ponto de vista morfológico é a classe que mais apresenta flexões, isto é: de pessoa e de número (eu/nós, tu/vós, ele(s)/ela(s), você(s)); de tempo (presente, passado ou pretérito e futuro); de modo (indicativo, subjuntivo e imperativo) e de voz (ativa, passiva e reflexiva). Em relação as vozes verbais ver pulo-do-gato nº 12.

2) Conjugações verbais

São três as conjunções verbais na língua portuguesa:

a) A primeira tem como vogal temática a. Ex.: cantar. b) A segunda e. Ex.: escrever. c) A terceira i. Ex.: partir.

Obs.: O verbo pôr é considerado uma irregularidade da 2ª conjugação. Não apresenta, atualmente, a vogal temática E no infinitivo, mas no Português arcaico apresenta, pois era poer.

3) Elementos da estrutura verbal

Os verbos possuem uma estrutura que se compõe de: um radical (R), mais uma vogal temática (VT), ambas constituindo o tema (T), mais as desinências modo-temporal (DMT) e a desinência número-pessoal (DNP) ou seja:

V = R + VT + DMT + DNP

Vejamos para que nos serve a fórmula estrutural, comparando duas formas verbais diferentes:

Cantavas x cantássemos

Sabemos que cantavas é a 2ª pessoa do singular do imperfeito do modo indicativo, enquanto cantássemos é a 1ª pessoa do plural do imperfeito do subjuntivo.
Como podemos confirmar essas conjugações? Por meio dos elementos estruturais. Basta que separemos e confrontemos os elementos mórficos dos verbos: cant/a/va/s e cant/á/sse/mos.

R = cant
R = cant
VT = a
VT = a
DMT = va (imperfeito do indicativo)
DMT = sse (imperfeito do subjuntivo)
DNP = s (2ª pessoa do singular)

DNP = mos (1ª pessoa do plural)

Como observamos, o radical e a vogal temática são os mesmos. A flexão, isto é, a variação que ocorre na parte final, nas desinências, nos indica que VA = imperfeito do indicativo; S = a 2ª pessoa do singular. Em cantássemos temos o tema canta: SSE = imperfeito do subjuntivo e MOS = 1ª pessoa do plural. Assim, podemos fazer um quadro geral das DMTs:

4) Desinências modo – temporal e número - pessoal

 

DESINÊNCIAS
TEMPO E MODO
CONJUGAÇÃO
EXEMPLOS
VA (ve)
Imperfeito do indicativo
amava, amáveis
IA (ie)
Imperfeito do indicativo
2ª e 3ª
corria, partia
RA (re)
Mais que perfeito do ind.
1ª, 2ª e 3ª
amara, correra, partira
RA (re)
Futuro do presente
1ª, 2ª e 3ª
cantarás, cantaremos
RIA (rie)
Futuro do pretérito
1ª, 2ª e 3ª
cantaria, partiríeis
E
Presente do subjuntivo
cante, cantem
A
Presente do subjuntivo
2ª e 3ª
corra, partam
SSE
Imperfeito do subjuntivo
1ª, 2ª e 3ª
cantasse, partissem
R (re)
Futuro do subjuntivo
1ª, 2ª e 3ª
cantar, partirem

Obs.: Estão entre parênteses as variantes das desinências.
Para as formas nominais as desinências são: infinitivo – r, gerúndio – ndo, particípio – do (to, so).

Números e pessoas

O verbo varia em pessoa e número. Vejamos

  SINGULAR PLURAL
1ª pessoa Eu canto
Nós cantamos
2ª pessoa Tu cantas Vós cantais
3ª pessoa Ele canta Eles cantam

Obs.: na fala viva do Brasil observa-se que o pronome vós esta praticamente em desuso, limitando-se a empregos na linguagem religiosa, ou na oratória. O próprio pronome tu é uso restrito a certas regiões e vem sendo substituído pelo pronome de tratamento você que pede o verbo na 3ª pessoa.

QUADRO GERAL DAS DNPs

PESSOAS E NÚMEROS
(presente do indicativo)
DESINÊNCIAS
EXEMPLOS
1ª pessoa do singular
o *, i
canto, corro, parto
2ª pessoa do singular
s – ste
cantas, corres, partes
pessoa do singular
Ø *, u
cantava, corria, partia
1ª pessoa do plural
mos
cantássemos, corrêssemos, partíssemos
2ª pessoa do plural
is, des *, stes
cantais, correrdes, ledes
3ª pessoa do plural
m, em
cantam, correrem, partiam

*Obs.: o pretérito perfeito do indicativo possui desinências próprias, com exceção da 1ª pessoa do plural, mos, ou seja: i, ste, u, stes, ram.

Obs.: Geralmente não há desinência de 1ª pessoa de singular exceto no presente do indicativo em que ela é o.

Obs.: No pretérito perfeito do indicativo e futuro do presente a desinência NP é i. Na 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo a desinência é ste. Na 3ª pessoa desse tempo a desinência é u, nos demais ela é 0. Na 2ª pessoa do plural do pretérito perfeito a desinência é stes.

Obs.: Na 3ª pessoa do plural do futuro do presente do indicativo ocorre uma ditongação e a nasalidade é indicada por til: cantarão, venderão, partirão.

5) Modos e tempos

Os modos indicam as diferentes atitudes do falante em relação ao processo verbal. Podem ser.
a) Modo indicativo = Ele lê muito. Indica um fato real, certo.
b) Modo subjuntivo = exprime fato possível, duvidoso, hipotético. É preciso que você leia.
c) Modo imperativo = Exprime ordem, súplica, apelo de forma afirmativa ou negativa. Leia hoje. Não leia hoje.
• Os tempos expressam o momento em que se dá o fato. No modo indicativo eles são:
a) Presente = Expressa fato atual ou habitual. Ex.: Viajo hoje. Sempre viajo.
b) Pretérito imperfeito = Expressa fato não concluído, ou então, fato habitual no passado. Ex.: Estudava, quando me chamou. Ia sempre à praia.
c) Pretérito mais-que-perfeito = Expressa um fato passado anterior a outro fato passado. Ex.: Quando você me contou eu já soubera.
d) Futuro do presente = Expressa fato futuro em relação ao presente. Ex.: Amanhã irei vê-lo.
e) Futuro do pretérito = Expressa fato futuro em relação a um momento passado. Ex.: Se soubesse, responderia. Às vezes indica polidez: Ex.: Você me emprestaria um lápis?

No modo subjuntivo os tempos são:

a) Presente do subjuntivo = apresenta um fato atual como possibilidade.

Exemplo: Desejo que voltes.

b) Pretérito imperfeito = expressa fato passado dependendo de outro fato passado.

Exemplo: Se soubesse, responderia.

c) Futuro = expressa fato futuro relacionado a outro fato futuro.

Exemplo: Quando souber, responderei.

6 Tempos compostos na voz ativa

Eles são formados pelos verbos auxiliares (ter ou haver) seguidos do particípio do verbo que se conjuga.

No indicativo há os seguintes compostos:

Pretérito perfeito compostos: Auxiliar no presente tenho louvado, uns louvado, tem louvado, temos louvado, tendes louvado, têm louvado.

No mais-que-perfeito: Auxiliar no imperfeito tinha louvado, tinhas louvado, tinha louvado, tínhamos louvado, tínheis louvado, tinham louvado.

No futuro do presente: Auxiliar no futuro do presente terei louvado, terás louvado, terá louvado, teremos louvado, tereis louvado, terão louvado.

No futuro do pretérito: Auxiliar no futuro do pretérito teria louvado, terias louvado, teria louvado, teríamos louvado, teríeis louvado, teriam louvado.

No modo subjuntivo temos:

Pretérito perfeito do subjuntivo - Auxiliar no presente do subjuntivo: tenha louvado, tenhas louvado, tenha louvado, tenhamos louvado, tenhais louvado, tenham louvado.

No mais-que-perfeito - Auxiliar no imperfeito do subjuntivo: tivesse louvado, tivesses louvado, tivesse louvado,tivéssemos louvado, tivésseis louvado, tivessem louvado.

No futuro composto do subjuntivo - Auxiliar vem no futuro simples do subjuntivo: tiver louvado, tíveres louvado, tiver louvado, tivermos louvado, tiverdes louvado, tiverem louvado.

Formas nominais compostas

No futuro pessoal composto: ter louvado, teres louvado, ter louvado, termos louvado, terdes louvado, terem louvado.

No gerúndio composto: tendo amado.

Tempos compostos na passiva

Para conjugar os tempos compostos na passiva basta acrescentar-lhes o particípio do verbo ser, isto é sido exemplos: Tenho louvado o senhor. O senhor tem sido louvado por mim. Se ele tivesse louvado o senhor. Se o senhor tivesse sido louvado por ele.

Conjugação de verbos com pronomes oblíquos átonos enclíticos.

a) A forma verbal termina em vogal. Você conhece o diretor? Conheço-o, conheci-o, conhecia-o, conhecera-o.b) A forma verbal termina em r, s, z. Informamos o assunto = informamo-lo. Fiz a pergunta = fi-la. Fizemos o rascunho = fizemo-lo.

c) Se a forma verbal terminar em m ou ditongo nasal recebe um n. Fizeram os relatórios = Fizeram-nos. Ele sempre põe os livros na estante = Põe-nos.

OBS. No fututo do presente e do pretérito não havendo palavras atrativas o pronome oblíquo vem mesoclítico. louvá-lo-eie, tê-lo-ás, enviá-lo-ei, parti-lo-ás, devolvê-lo-ão.